Esse texto é a minha visão do que significa se relacionar com outras pessoas...
Não pode existir nada mais prazeroso do que conhecer pessoas. Conhecer de verdade, pessoas que queiram mostrar o que tem de mais real dentro de si, suas essências. Porque por mais povoado que seja este planeta, cada ser humano vive em seu próprio mundo, muito particular, muito seu e cujo acesso costuma ser extremamente restrito.
Por isso, as melhores experiências que já vivi, foram as experimentadas pelos olhos de outras pessoas. Não existe nada mais delicioso do que penetrar no mundo de outro. Conhecer alguém verdadeiramente é a experiência mais recompensadora que pode existir porque, mesmo que seja por apenas um minuto, as almas se tocam e podemos saber que não estamos sós no universo.
Empatia literal, visceral. É a vivência mais reveladora, prova que estamos vivos, quando alcançamos a alma do outro ele passa a ser parte de você, centelhas de luz brilham nos céus quando conseguimos essa comunhão com alguém.
Eu sinto sua dor e choro, me regozijo com suas alegrias, sonho com suas esperanças e sorrio com seus sorrisos.
O que me motiva a viver é isso. Esperar esses momentos de partilha. Pode ser com alguém que eu vá chamar de amigo, com alguém que encontrei na rua e nunca mais verei, com o meu irmão ou com o amor da minha vida... Não importa. Por um instante ele me conheceu sinceramente e eu a ele.
E pra sempre iremos recordar, mesmo que nossos caminhos nunca mais se cruzem.
Dizem que quando morremos vemos diante de nossos olhos os momentos mais importantes de nossas vidas. Pois na minha morte eu veria unicamente instantes assim.
Me recordo com amor sincero de cada uma dessas pessoas que se deixaram ver dessa maneira por mim e mesmo que nem sequer faça idéia de qual caminho elas tomaram, um pacto de união as levará sempre comigo.
Nem sempre é primoroso o que vemos, mas a beleza está na verdade revelada. E tudo o que sou, tudo que construí e acumulei é feito dessas visões, desses pedaços da alma que recebi como oferenda, retribuição do meu autêntico desejo de partilhar, de dividir a felicidade, ou de levar parte da dor. Todos os fragmentos de cada uma dessas pessoas especiais é que formam a unidade da minha alma e me tornam uma pessoa inteira e plena de vida.
janeiro/2009