domingo, 16 de dezembro de 2012

Grilo Falante

Façamos agora da vida um exame
pois bem, vos digo: é infame!
Já que quando traz a quem ame
o insano coração errante
converte então tal amante
em um grande pedante
grilo falante!!!


domingo, 11 de novembro de 2012

Plenitude











Falar não é necessário
quando estamos em comunhão
Nem os corpos se tocarem
se as almas estão conectadas
profundamente

Lembrar não é necessário
se a presença é constante
tampouco saber sobre a vida
se as existências perenes se unem
na totalidade que se expande e converge

E a eternidade nos acolhe
quando compartilhamos a experiência divina
em regozijo e abundância
admirando os traços perfeitos
da obra do criador

Sepultura

Depois que o sol se pôs
eramos todos irmãos
porque morremos juntos
Mas a verdade é que é apenas sozinho que se morre...

E antes de nosso sol se por
sopramos palavras ao vento
espiamos por entre os olhares
esticamos as mãos tentando tocar
para alcançar o mundo do "outro"

Mas é apenas sozinho que se percorre
nosso mundo interior
somente sozinhos ouvimos
a voz da consciência

Solitários travamos a batalha
contra nosso ego resistente
e assim, sós, nos metemos a noite
em nossa caverna sombria...

Lambemos nossas feridas
e uivamos!
Esperando, inseguros, uma resposta

Estamos sós, enquanto a vida se esvai
lentamente, ininterruptamente.
Nos enfiamos em nossa cova
escura, fria e úmida...

Aguardando que a respiração cesse
que o sangue deixe de pulsar
quando desistimos de alcançar
a outra mão estendida

Porque sozinho é que se morre!
A não ser que aprendamos
a nos conectar com o todo
e que o "outro" não existe

Até que possamos sentir
que somos todos um
Aí então seremos irmãos
em profunda comunhão

Quando o amor sagrado
der ímpeto à vida que flui
e nosso corpo vibrar energizado
denso e sutil

Indo às alturas sob a névoa
detentora da seiva vital
e nos encontrarmos uns aos outros
em nós mesmos...

Sem fim sob a terra e acima
tocaremos o que está fora
nos voltando para dentro...
Ai então, seremos irmãos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

não me lembrar...

Pombos nos fios elétricos
um passante com braços de bronze
um contrabaixo
uma touca, um cão...

Uma canção
muitas canções
um livro aberto
o entusiasmo

Um par de baquetas no chão
um cubo
um copo de suco
uma refeição

Motocicletas
cicatrizes
aviões
ideias para partilhar...

São coisas assim
que vejo todos os dias
enquanto não tento mais
não me lembrar...

sábado, 29 de setembro de 2012

Comunhão

Me abriu as portas do seu mundo
sem me tratar como uma estranha
abriu seu livro favorito
e o leu para mim
tocou suas músicas favoritas
e suas canções imaginárias
me tocaram
me olhou diretamente nos olhos
e seu silêncio tocou minha alma
viu através de mim
e não me julgou
me revelou seus segredos íntimos
sem restrições
me mostrou pedacinhos delicados
de sua vida, seus sonhos e seus medos
me recebeu em sua cama
foi recebido em meu corpo
com ternura e liberdade
dissolvemos os limites
do corpo e do espírito
chegamos num mundo onde não há nomes
e rompemos os padrões
que limitam as relações humanas
me ensinou a transcender o significado
de intimidade e afeição
vivemos a comunhão sem regras
e o amor sem restrições
que te dedico
e partilho com o mundo...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Para depois esquecer...



O corpo, uma canção
memorizada com a ponta dos dedos
Minha alma pulsa em poesia
te guardo em meu ventre com um olhar

Tua pele obstinada como teu caráter
exalando a intensidade da tua essência

Lindo o vejo sempre
no olhar e no sorriso

Música, palavras
segredos da alma
compartilhados pelos corpos e mentes
para depois esquecer...

Eros do Caos



Sou a agente do caos
vizinha das trevas
Vivo no lusco-fusco
do piscar dos teus olhos

Só recorro aos deuses
quando quero dar graças
Sou a boa amiga
só nas tuas horas amargas

Me desconstruo e me refaço
num único fôlego de vida
Te desejo quando pensas
Penso quando me desejas

Serei tua para sempre
ou até chegar a primavera
Aprendi a não esperar até que o mundo acabe
antes de começar a mirar as estrelas

Sou o pão e a carne
e o sopro e o brilho da alma transcendente

Quero te dar o que menos desejas
quero que desejes o que menos sei dar
Quero ver-te outra vez
antes que teu cheiro me deixe

Ou talvez eu me perca
em outros templos,
outros tempos
outros lençóis...

Sou como a ninfa dos mares
envolvendo como serpente
para escapar à força
dos teus braços, de teu abraço

Diante dos teus olhos
não me vê
Durante os teus sonhos
me desvenda

Leio a tua alma
Abalo tuas convicções
Sementes sopradas ao vento
para o tempo florir

Procuro nas canções
as palavras que não tenho
Descontextualizo todo o nexo
reescrevo o fim da história

Dia após dia e espero o sol se por
enquanto me dissolvo no crepúsculo

Gratidão




Mulherzinhas do mundo
Uma palavra de gratidão quero deixar a todas
Por transformarem para os homens o amor
Que trata de comunhão sublime
De integração dos opostos
Num cabresto e numa jaula
E vossas vaginas, de passagem ao divino infinito
em portal para a perdição,
Boca insaciável de deusa-vulcão exigindo sacrifício
Em armadilha de escravidão ao mundo dos sentidos
Graças a vocês, fêmeazinhas
O amor, tão belo e sagrado
Para os homens é como a cruz ao diabo
Cuidado equivaleu a servilismo
Prazer se tornou dor
Beleza é futilidade
Carinho, moeda de troca
E afeição, sinônimo de interesse
Agradeço também aos machões
que educaram essas damazinhas
com rédias curtas e chicote
que o amor é uma disputa
que devem manipular com doçura
para não serem subjugadas pela força
Agradeço a todos vós
por banalizarem o amor
por transformá-lo numa palavra imunda e pavorosa
Assim coube a mim buscar uma palavra nova!
Pois como disseram os poetas dos sonhos do novo milênio
Se "outrora eu buscava o Amor
Agora eu busco a Vida"
Deixo a vocês este amor gasto e surrado
e também minha gratidão
Pois para mim
eu desejo VIDA

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reconstrução

Que o medo não me detenha
Que a dor não me impeça
Que a ousadia guie meus passos
E a impermanência seja minha mestra
Mergulho em mim mesma
Me viro do avesso
Revelo um outro lado
Pranteio o que morreu
Para que as lágrimas possam regar o riso
De quem se abre ao novo!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Poesia nova


Te conto meu segredo
como o vento que sopra
murmurando delicadamente
sem ser percebido

Te conto meu segredo
quando te sentas na varanda
sozinho, de madrugada
enquanto olha as estrelas

Te conto meu segredo
todas as noites
em cada ponto e letra
vertendo a verdade

Te conto meu segredo
como um rio que corre suavemente
nunca interrompendo seu fluxo
com sua correnteza cantante

Te conto meu segredo
como a neblina que te envolve
permeando tua pele
e penetrando os teus poros

Te conto meu segredo
em fragmentos delicados
como as páginas de um livro
há muito tempo não lido

Te escondo meu segredo...
como uma semente no interior da terra
esperando que crie raízes
para desabrochar na primavera

quinta-feira, 26 de julho de 2012

No more love poems


No more Love poems - basta de poemas de amor

i lived wit myths & music waz my ol man& i cd dance

a dance outta time / a dance wit no partners / take my pills & keep right on steppin…

out there / i said yes / this is who i am waitin for

& to come wit you / i hadta bring everythin

the dance & the terror

the dead musicians & the hope

& those scars i had hidden wit smiles & good fuckin

lay open

& i dont know i dont know any more tricks

i am really colored & really sad sometimes & you hurt me

more than i ever dance outta / into oblivion isnt far enuf to get outta this /

i am ready to die like a lily in the desert / & i cdnt let you in on it cuz i didnt know

here is what i have / poems / big thighs / lil tits / & so much love /

will you take it from me this one time /
please this is for you /

arsenio’s tres cleared the way & makes me pure again / please please / this is for you

i want you to love me / let me love you / i dont wanna dance wit ghosts / snuggle lovers i made up in my drunkenness /

lemme love you just like i am /  a colored girl / i’m finally bein real / no longer symmetrical & impervious to pain
Eu vivi com mitos & a música era meu velho homem & eu podia dançar

uma dança sem tempo / uma dança sem parceiros / tomar meus comprimidos & continuar o paço...

lá fora, / eu disse sim / isso é o que eu estou esperando

& para vir com você / eu tive que trazer tudo

a dança & o terror

os músicos mortos & a esperança

& essas cicatrizes que eu escondia com sorrisos & fodendo bem

pondo a descoberto

& eu não sei, eu não sei mais nenhum truque

Sou mesmo colorida & muito triste às vezes, & você me machucou

mais do que eu jamais dancei por aí / no esquecimento, não foi o suficiente para sair disto /

eu estou pronta para morrer como um lírio no deserto / & eu não podia deixá-lo, porque eu não sabia

aqui está o que tenho / poemas / coxas grossas/ peitos pequenos /& tanto amor /

você vai aceitar de mim desta única vez /
por favor isto é para você /

... abriram o caminho & fazem-me pura de novo / por favor, por favor, / isso é para você

eu quero que você me ame / deixa eu te amar / Eu não quero dançar com fantasmas / amantes aconchegados em mim, eu inventei na minha embriaguez /

Deixa eu te amar como eu sou / uma garota colorida / Eu estou finalmente sendo real / não simétrica & impermeável à dor


(Ntozake Shange, em "for colored girls who have considered suicide / when the rainbow is enough")

domingo, 20 de maio de 2012

O reino dos corvos


Ele nunca quis ver a minha dor
o herdeiro do trono não quer ser mais que um bobo
e seu encantado reino, que é o meu
dá lugar a mata selvagem

Naquele momento congelado no tempo
a doçura de outros dias não estava lá
Somente a lua nascendo
o vento balançando as folhas
o riacho murmurando segredos
que ninguém ouviu
o grasnar de corvos ecoando
e nenhuma testemunha...


CHEGANDO AOS 30





Chegando aos 30, você ainda não escreveu um livro
mas viveu muitas poesias
Você não plantou uma árvore
mas usa papel reciclado

Chegando aos 30, você pode já ter tido filhos
mas se ainda não os teve
pode ter chegado à conclusão
de que é melhor nunca tê-los

Chegando aos 30 é hora de se conformar
porque nenhum de seus sonhos se realizará

Mas também é hora de perceber que sua vida é boa
e que conseguiu muito mais do que muitos
jamais conseguirão muitos passos além no caminho

Chegando aos 30 a boca fica mais seca
E os olhos mais úmidos
O coração mais morno
E a mente mais fria

Chegando aos 30, você tem menos expectativas
E mais trabalho
Menos ilusão
E mais ação

Chegando aos 30 é hora de construir
sobre as bases que criou até então
E de solidificar o que sobrou
dos planos que fez no passado

Chegando aos 30, você tem muitos conhecidos
e pouquíssimos amigos
dos quais você mais se despede
do que os saúda

Chegando aos 30 o amor é muito mais raro
e absurdamente mais valioso
Chegando aos 30 você sabe muito menos de tudo
mas suas convicções são mais firmes

Você pede menos permissões
e se proíbe de muito mais coisas
Chegando aos 30 é hora de se orgulhar do que conseguiu
e esquecer tudo que não fez

Chegando aos trinta é hora de olhar para traz
fingir que não se recorda da criança que vê
e ingressar no divertido mundo dos adultos!