segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Crisálida

Sapatinhos vermelhos
me fazem andar em círculos
É hora de deixar os pés nus
e sentir na pele o asfalto
Esse mundo que é concreto puro
nem puro, nem concreto

Sem grama verde
nem beira-mar por hora
Antes há que endurecer o couro
e aprender a caminhar sem rumo
livre entre o pó e o cimento
Horizonte oblíquo
panorama cinza
além do pavimento

Deixar-se cobrir pela noite longa
envolver-se no manto da mutação
Ouvindo sempre a pergunta da lagarta

Antes de alçar vôo
Expor as frágeis asas ao mundo
Sentindo as lambidas do vento
como uma gata selvagem
que lambe sua cria

Com as asas secas enfim, voar
sobre as cores ignorando os perigos
orlas azuis e brancas
colinas verdes e
amarelas...

domingo, 6 de outubro de 2013

Rimando e jorrando

Não desejo o ordinário
e não espero ser compreendida
minhas vaidades são ao contrário
e pouco precisam ser nutridas

poetizando pouco importa
se é poesia ou estupidez que escrevo
é sempre a palavra que corta
e para minha fortuna é o trevo

escrevendo e vivendo sinto igual
emoções várias e sortidas
e só não escrevo o capítulo final
porque pela curiosidade sou movida

escrevo e vivo em rimas tortas
sempre com uma interrogação em riste
e se eu tentasse outras portas?
se mover-se é o único caminho que existe

E se eu ousasse alcançar novos sonhos?
se desejar experimentar novos desejos?
nunca o degrau, nem o final será enfadonho
se me movo e ao desconforto mando um beijo

vivo de rimas pobres e ânsia rica
me desconhecendo para saber quem sou
com princípios nobres e libido em bica
jorrando loucuras que o ego não contém...