Amarram tuas pálpebras sólidas gotas
Seguras em tuas pestanas,
pesadas, vitrificadas
Carrega este pranto retido e o libera em notas
Sozinha, no escuro, cortinas fechadas
Teus amigos não sabem, mas há muito
com este fluir glacial e ressentido
foste privada da visão,
nada podes ver
além das ilustrações em tua mente
Não há pôres-do-sol alaranjados
ou raios dourados de luar
As flores da primavera e o arco-íris
não passam de uma fraude
diante de teus olhos de vidro
Um pranto calcificado pela eternidade
... Pelo passado que não voltará,
por teu futuro, que não virá,
e pelo presente, o que recebeste?
Cavalos de Tróia certamente...
Por tudo que não se realizou
por sonhos não concretizados
por juras sacrílegas e promessas
proferidas ao vento
e jamais cumpridas
Pelo desapontamento
sob a sombra de teus cílios
se pudesses erguer teu olhar vítreo
a sua transparência mostraria
os efeitos da erosão da dor...
Estalactites e estalagmites
esculpidas gota a gota
de teu pranto retido
na caverna sombria e escura
que é o interior de tua mente