terça-feira, 6 de setembro de 2011

Olhos de vidro

 


Amarram tuas pálpebras sólidas gotas
Seguras em tuas pestanas,
pesadas, vitrificadas 
Carrega este pranto retido e o libera em notas 
Sozinha, no escuro, cortinas fechadas 


Teus amigos não sabem, mas há muito 
com este fluir glacial e ressentido
foste privada da visão, 
nada podes ver
além das ilustrações em tua mente 


Não há pôres-do-sol alaranjados 
ou raios dourados de luar 
As flores da primavera e o arco-íris
não passam de uma fraude 
diante de teus olhos de vidro 


Um pranto calcificado pela eternidade 
... Pelo passado que não voltará, 
por teu futuro, que não virá, 
e pelo presente, o que recebeste? 
Cavalos de Tróia certamente...


Por tudo que não se realizou 
por sonhos não concretizados 
por juras sacrílegas e promessas 
proferidas ao vento 
e jamais cumpridas 


Pelo desapontamento
sob a sombra de teus cílios 
se pudesses erguer teu olhar vítreo 
a sua transparência mostraria 
os efeitos da erosão da dor... 


 Estalactites e estalagmites 
esculpidas gota a gota 
de teu pranto retido 
na caverna sombria e escura 
que é o interior de tua mente