domingo, 11 de novembro de 2012

Plenitude











Falar não é necessário
quando estamos em comunhão
Nem os corpos se tocarem
se as almas estão conectadas
profundamente

Lembrar não é necessário
se a presença é constante
tampouco saber sobre a vida
se as existências perenes se unem
na totalidade que se expande e converge

E a eternidade nos acolhe
quando compartilhamos a experiência divina
em regozijo e abundância
admirando os traços perfeitos
da obra do criador

Sepultura

Depois que o sol se pôs
eramos todos irmãos
porque morremos juntos
Mas a verdade é que é apenas sozinho que se morre...

E antes de nosso sol se por
sopramos palavras ao vento
espiamos por entre os olhares
esticamos as mãos tentando tocar
para alcançar o mundo do "outro"

Mas é apenas sozinho que se percorre
nosso mundo interior
somente sozinhos ouvimos
a voz da consciência

Solitários travamos a batalha
contra nosso ego resistente
e assim, sós, nos metemos a noite
em nossa caverna sombria...

Lambemos nossas feridas
e uivamos!
Esperando, inseguros, uma resposta

Estamos sós, enquanto a vida se esvai
lentamente, ininterruptamente.
Nos enfiamos em nossa cova
escura, fria e úmida...

Aguardando que a respiração cesse
que o sangue deixe de pulsar
quando desistimos de alcançar
a outra mão estendida

Porque sozinho é que se morre!
A não ser que aprendamos
a nos conectar com o todo
e que o "outro" não existe

Até que possamos sentir
que somos todos um
Aí então seremos irmãos
em profunda comunhão

Quando o amor sagrado
der ímpeto à vida que flui
e nosso corpo vibrar energizado
denso e sutil

Indo às alturas sob a névoa
detentora da seiva vital
e nos encontrarmos uns aos outros
em nós mesmos...

Sem fim sob a terra e acima
tocaremos o que está fora
nos voltando para dentro...
Ai então, seremos irmãos.