Então nossas essências se reconheceram
Um novo par dançando no espaço
Já livres de pernas em que tropeçar
Sem interromper esta dança
Ora valsa, ora tango, ora punk
Recuo dois passos pra te perceber inteiro
Por partes, pedaço por pedaço, por completo
Do arrepio que sente na espinha
Quando um pensamento te dá medo
À convulsão redentora do teu gozo
Depois me coloco à minha esquerda
Me movendo em meio-círculo
Pra observar a mim mesma a te admirar
Vejo ali tudo que é sonho, ilusão, desilusão
Esperança e desespero
Experimentamos o bailado e a gira
Giramos espiral adentro
Por um segundo a música para
E nós prendemos a respiração
Mas este segundo foi apenas
o fôlego da vida inspirando
recuando o martelo ante o cinzel
antes de prosseguir em sua mais recente obra
que é também sua arte mais antiga
o fazer viver