Sapatinhos vermelhosme fazem andar em círculos
É hora de deixar os pés nus
e sentir na pele o asfalto
Esse mundo que é concreto puro
nem puro, nem concreto
Sem grama verde
nem beira-mar por hora
Antes há que endurecer o couro
e aprender a caminhar sem rumo
livre entre o pó e o cimento
Horizonte oblíquo
panorama cinza
além do pavimento
Deixar-se cobrir pela noite longa
envolver-se no manto da mutação
Ouvindo sempre a pergunta da lagarta
Antes de alçar vôo
Expor as frágeis asas ao mundo
Sentindo as lambidas do vento
como uma gata selvagem
que lambe sua cria
Com as asas secas enfim, voar
sobre as cores ignorando os perigos
orlas azuis e brancas
colinas verdes e
amarelas...

