sábado, 2 de outubro de 2021

QUA REN TA


 

4 décadas num piscar de olhos

além de incontáveis diferentes vidas

hoje fragmentos difusos

memórias, cicatrizes e feridas


Chegam me golpeando os sentidos

como do uísque barato

o primeiro gole, sem gelo

que desce contrito e ressentido

prometendo alívio imediato

quando não há remédio ou apelo


Por fora as juntas estalam, o viço se reduz

a disposição é pouca e a pele cheia de marcas

lembretes do barqueiro que conduz

todos nós à finitude em sua barca


Por dentro, desinflado o que é vão e seduz

desfilam os animais de minha arca

O espaço se expandiu e a luz,

ressaltando as sombras não parcas


O ego confuso e perturbado

pessimista sobre a espécie humana

descrente de propósito ou fado

mas guardo a experiência que emana


De cada pessoa que já conheci

gratidão pelo passado professor

pelas lições que aprendi

pelo amor ou pela dor


(Coisas pra se orgulhar ou coisas que lembro pra não repetir.

Fechar os olhos para a verdade não faz de ninguém propriamente inocente.)


Assim menos julgadora

ainda que menos sorridente

só não jogo tempo fora

onde não germina semente


Meus sonhos tem menos gente

e mais canteiros de flores

e as espumas do mar fluente

seus sons e rumores...


Acho quase todo mundo atraente

até os tacanhos e assimétricos são

e cada um, um pouco desprezível

embora digno de compaixão


Mais sensível e transparente

menos animada e disponível

já demoro do frio ao quente

mas é raro queimar um fusível


Ainda paz e amor e festeira

creio no poder do riso

apesar da enorme canseira

e os desassossegos do siso


Já me apropriei de mim mesma

conectada aos meus sentimentos

embora vague em paragem erma

em dados recorrentes momentos


De correntes me libertei

desapeguei de fantasias

a outros ideais me aferrei

e de ilusões fiquei vazia


(Pouca coisa vale mais

que paz de espírito)


Além da percepção da Verdade

de que verdades são percepções

e o que está além da Vontade

são meras concepções


A esperança resiste pequena

me esforço para seguir adiante

mas enquanto não for plena

aguardo o destino comediante


Seja por desatino ou puro medo

ainda resta o desejo de conhecer

acolher o mundo um segundo e cedo

soltar, como ar, pura vida, pleno ser




sexta-feira, 2 de abril de 2021

O ENGANO ACEITO

 

Se ela ganha / ou até mesmo / fica pau-a-pau

é razão / pra você / não processar legal

Desculpa irmão, / mas tua postura / pegando mal

Abra a cabeça, / cresça, /não / seja um animal

 

Tua nostalgia insólita / não dá sinal

De inteligência, / de ser / um cara racional

Sei que tua mãe deve ter dito /que é sensacional

Mas na hora /de você / cair na real

 

Agora faz / uma revisão geral!

 

Acorda! / Tá na hora de rever os seus conceitos

Vai ter que entender o que é direito

Não é pelo controle, / é no respeito

Pra se tornar um bom sujeito

 

Que não é pela força, / é no respeito!

Se quiser ser um pouco menos imperfeito!

 

É no respeito!

Não vou mais tolerar o engano aceito!

 

Acorda irmão! / Vê se aceita / que ela é uma igual

Por direito / empoderada, / se achando a tal

Não é coisa, / não é posse, / não é seu curral

Então deixa o jardim dela / e olha teu quintal

 

Entenda, / o centro / do universo / não é seu bilau

Teu donio / sobre o mundo / chegou ao final

Que a Mãe-Terra / é fêmea / e deusa principal

No dia-a-dia, / na matéria, / no essencial

 

Escuta irmão! / A alma dentro / que te anima

E com cuidado te ensina / em cada esquina 

A sutileza feminina

 

Já chega! / Do maternal ser marginal!

 

Com sutileza / em cada esquina / te ensina

o / ser / total

 

Não faço ideia

se minha ideia / em sua mente / fez efeito

Nesse teu fraco / pensamento / tão estreito

Mas deixo o toque, / é melhor pensar direito...


02/04/2021

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domingo, 28 de março de 2021

Rompimento Ideal




Não vim aqui para brigar
Vim propor a solução
e desde já, quero adiantar
se eu for rude, perdão!

(A gente se fala.)

Não sou mulher vingativa
Não vim bancar bruxa Medeia
mas mesmo te amando enquanto viva
não compartilho suas ideias

(Diz pra sua mãe que mandei um beijo!)

Não acho preciso sofrermos
por conflitos de opinião
Será melhor pormos a termo
uma amistosa cisão

(Vamos marcar um dia desses...)

Por isso agora o que faço
é pedir com justeza e coração
que cada lado recue um passo
pra que o outro tenha expressão

Pra sacudir o cansaço
abrir mão do escasso
abrir espaço e compasso
para a totalidade

(Se cuida bem!)

Te desejo: felicidade
luz e compaixão
pra acompanhar o tempo e a idade
em eterna evolução

A plenitude buscada
que é na atitude encontrada
em solicitude mostrada
dentro da imperfeição

(Se precisar de alguma coisa me liga.)

E embora nossos caminhos
se distanciem na imensidão
atrás de gigantes, moinhos!
Teremos sempre uma conexão

(Adeus...)

Nas lembranças que apagam um pouquinho
Mas eternamente na memória
dos momententos guardados com carinho
das baladas e histórias de então.

(Adeus!)

27/03/2021

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

CHOREI DESCANCANDO BATATAS OU UMA VISÃO POÉTICA DA TRAGETÓRIA DO FEMININO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

 PRÓLOGO

Primeiramente gostaria de denotar que embora sendo eu, quanto posso, comunicóloga, psicanalista, roteirista, escritora  de ficção e pretensa poetisa, o texto a seguir não pertence a nenhum campo específico nem se relaciona diretamente com a psicanálise de nenhuma forma, exceto por ter sido inpirado devido ao fato de estar correntemente me submentendo à análise, recentemente retomada. O simples ato de submeter-se a qualquer forma de psicoterapia desencadeia espontaneamente certos processos psíquicos voltados ao nosso próprio desenvolvimento psicólogico e à cura de nossas feridas emocionais. Para mim particularmente, escever textos ou poesias sempre foi terapêutico.

Daí que meus textos, sejam eles de cunho teórico, acadêmico, ficcional ou poético, sempre me ajudam a traduzir e elaborar meus conteúdos, antes de ocupar-me com a forma ou a retórica. As palavras sempre me foram melhores amigas íntimas que colegas de trabalho. E a este texto em questão, calhou sair-me ligeiramente poético, ligeiramente filósófico e um tanto quanto analítico. Assim decidi publicá-lo em todos os (poucos) feeds que mantenho.

Comecei a escrevê-lo durante as férias do trabalho de 2019. Por n motivos, terminei de escevê-lo somente hoje. Em conclusão, acredito que precisei de todo este tempo para digerir completamente todas as percepções que tive naquele novembro chuvoso repleto de solitude na praia.

Uns 2 anos antes disso, uma necessidade profunda de rever meu paradigmas e minha maneira de viver fizeram com que eu me retirasse pouco a pouco de todas as obrigações profissionais, acadêmicas e sociais que não fossem essenciais e eu atravessava um longo período de recolhimento e introspecção.

À época daquelas férias, eu me debatia especificamente com algumas questões pessoais e conflitos internos referente a minhas relações comigo mesma, com outras pessoas em geral e também no sentido romântico. Sentia necessidade de rever como eram construídas por mim essas conexões e que papéis eu atribuía a mim mesma nessas relações, como ser humano e como mulher. Casualmente tinha férias vencidas a gozar e me dispuz a usar alguns desses dias livres para trabalhar mental e emocionalmente essas questões. Escrever sempre me ajudou a processar meus afetos e depois de alguns poderosos insights tentei materializá-los num texto, mas não pude concluir pois os conteúdos pareciam ainda muito fluídos e fugidios.

Fui capaz de terminá-lo hoje, enquanto buscava referências e tentava escrever um roteiro de audiovisual (que obviamente ficou inacabado) que ilustrasse figurativamente os níveis de consciência e a necessidade de a expandirmos em direção à universalidade para a sobrevivência, não apenas da epsécie humana, como de toda vida na Terra. A conexão entre os assuntos se deu na figura do feminino arquetípico, que ofereceu respostas às minhas questões em 2019 e que surge agora como elemento chave requerido para a transformação global que a consciência humana precisa adotar para a nossa sobreviência e sanidade.


São Paulo, 15 de fevereiro de 2021.

Priscila Rizzi

 

  

domingo, 1 de setembro de 2019

Encontro no escuro *


Era um lugar triste, frio e solitário em que eu estava, e o vazio me preenchia, quando nos encontramos. Na treva recebi seu abraço, você secou lágrimas antigas, me proporcionou outras frescas, me tocou como se há tempos não encontrasse uma pessoa viva e uma pequena labareda se acendeu, quando me percebi reconhecida na escuridão. O toque de suas mãos me conduziu a um universo privado, só nosso, de chama e sombra e paixão e delírio. Um paraíso quente e úmido e intoxicante, para onde poderíamos fugir do mundo, com toda dor que carregávamos. 
Confessamos nossos pecados e medos, expusemos nossas deformidades, exibimos as cicatrizes  mas disfarçamos as feridas abertas,  revelamos nossas pequenas monstruosidades e isso nos fez sentir mais humanos – acolhidos pelo reconhecimento nivelador da pequenez de nossa própria espécie. 
Terminado esse encontro dramático, como corpos no espaço que colidem, continuamos nos distanciando na imensidão. E a chama explosiva que me impulsionara tanto através do frio caos do vácuo em que me achava, foi perdendo força e calor até restar somente um ponto. Uma pequena luz, pálida e fria, sobrevivera do acidente que nos reuniu e separou, uma luz faminta, fraca e dolorosa, clamando para ser nutrida, alimentada e cuidada. 
Só que eu não sabia como fazer isso, então, já que eu pensava não ter nada a lhe oferecer de alimento, dei-lhe a mim mesma. A luz pulsava, mas não crescia, enquanto eu desaparecia cada vez mais, tragada por seu apetite voraz. Até que sumi por completo, e a luz também, e tudo o mais desapareceu. Foi quando me dei conta de que tinha sido reduzida a pequena partícula de poeira, minúscula e opaca, pairando no nada, como vaga lembrança do que fora. 
Pairando imóvel um segundo, em seguida eu-poeira pendeu oscilando, até encontrar o ponto mais fundo de um vazio imaginário e por isso, interminável. 
Por um átimo de segundo além do tempo, a eu-poeira repousou ali no fundo do abismo do mundo, entre a agonia do isolamento de ser único e completamente só, e o gozo transcendental de converter-se em nada, diluído no todo. 
Mas o bafo do destino cessou, pois já não podia mais alcançá-la ali no ventre do mundo e a oscilação perniciosa do seu pêndulo já não mais podia estremecê-la. Ali dentro, pressentindo-se a mesma poeira que a tudo compunha, sentiu um novo sopro a mover, elevando-a com um som muito doce, e fazendo-a girar e brilhar, se espalhando no nada, feito galáxia. Agora já são incontáveis pontos de luz a formar um novo eu, iluminado e grato por existir. 
Ali dentro, no vazio, deitada no escuro sozinha, mergulhada na lama, retornando ao pó de onde viera, encontrava a Deus. Não num altar ou em histórias antigas e incompreensíveis, mas como energia pulsante, água viva que nutre e aquece, ilumina e areja as paragens, clareando horizontes distantes, inflamando o desejo por um mundo mais amigável e livre, alimentando a esperança por um futuro mais doce e acolhedor e inspirando nova fé na beleza da vida. 
Ainda que projete alguma sombra de crepúsculo, minha aurora se anuncia e, finalmente, sou luz e, voltando meu olhar para fora vejo muitas outras luzes de incontáveis cores flutuam ao meu redor, me mostrando do que o mundo é feito. Como emito luz, posso ver a mim mesma e já não preciso mais das mãos de outra pessoa para perceber minhas proprias formas e contornos. Me sinto renascida e expectante por uma nova jornada, que me aproxime ainda mais de minha origem e minha essência. 
Então me lembro de você, que atravessou ao meu lado a matéria escura em meio ao medo e dor e auxiliou minha chegada até aqui. Olho em sua direção e o vejo acenando à distância, incapaz de me ouvir, se afastando lentamente, mais e mais da luz que emito, até que já não possa vê-la e se torne apenas lembrança, enquanto some no horizonte e finalmente se esquece até mesmo de quem foi. Distante, frio e solitário, se apagando na imensidão do vácuo, indiferente a tudo... só uma poeira na imensidão... 

(ou "O Conto de uma descida solitária compartilhada, ou - "Narrativa subjetiva sobre um romance imaginado entre duas pessoas deprimidas", ou ainda - "O ápice, o fim e o começo")

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Poesia profunda

Venham os tolos, venham lunáticos, venham crianças!
Para que eu possa sorver vossas sentenças
até que elas se tornem em mim
sabedoria
Que acenda uma luz
que exponha a sombra
trazendo o equilíbrio
que mostra a melhor versão
de nós mesmos
que contagia quem se aproxima
que contamina quem se apropria
que domina a quem se apodera
vira desejo de transmutar
vida, desejo de aprimorar
apaziguar o mundo
uma alma por vez
esperando no futuro
esperança!
para os filhos a quem não dei a luz


Música



Tão pulsante, tão preciso
clamando por voz
cães latem, carros passam
e as luzes não se apagam

me falta melodia 
que possa dar vida
aos nomes que eu não sei

Não existe canção
pro que estou sentindo

Olho pro céu
mas em Sampa
se ama pouco
e não há estrelas
para que eu possa buscar
uma luz nas alturas

Só um céu frio
chumbo e vermelho
e a matreira lua nova
sorrindo sacana pra mim

Cachorros latem, os carros passam e eu.
Os ruídos da cidade
e aqueles na minha mente
são toda a música que tenho agora...


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Perspectivas


Então nossas essências se reconheceram
Um novo par dançando no espaço
Já livres de pernas em que tropeçar

Sem interromper esta dança
Ora valsa, ora tango, ora punk
Recuo dois passos pra te perceber inteiro
Por partes, pedaço por pedaço, por completo
Do arrepio que sente na espinha
Quando um pensamento te dá medo
À convulsão redentora do teu gozo

Depois me coloco à minha esquerda
Me movendo em meio-círculo
Pra observar a mim mesma a te admirar
Vejo ali tudo que é sonho, ilusão, desilusão
Esperança e desespero
Experimentamos o bailado e a gira
Giramos espiral adentro

Por um segundo a música para
E nós prendemos a respiração
Mas este segundo foi apenas
o fôlego da vida inspirando
recuando o martelo ante o cinzel
antes de prosseguir em sua mais recente obra
que é também sua arte mais antiga


o fazer viver

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vento de Tempestade


Sopro de vida que irrompe
Insólito, num dia claro
Vento de tempestade
que cobre a Terra
de luz e sombras
que nos emudece
com sibilos e uivos

A natureza em potestade e júbilo
ressoando ímpeto e paixão
e toda vida silencia por um momento
em reverência profunda

Quando então desce o Céu sobre a Terra
ribombando seu gozo celeste
nos deixando entrever
o princípio e o fim de tudo

Já é setembro, fome e sede saciados
A Terra floresce em seu esplendor
Gotejando aromas e cores
fervilhando de vida e deleite!

E eis que ele fez emergir a primavera...

Abençoados sejam aqueles que nutrem a beleza, a bondade e a verdade!


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Penélope



Sou Penélope, a rainha de Ítaca
Penélope, a astuta
Me chamam a sagaz
Porém a sonhadora é quem sou
Não me canso de esperar
Pelo homem que reivindique
O seu reino por direito

Teço planos e mantos
Engenhosa e perspicaz
Mas quando cai o véu da noite
Me desfaço em emaranhados
De bruma, de pranto, de esperança

Apenas para que se passe mais um dia
Em que seu reino permaneça intocado
Sou Penélope, a tola tenaz
Esperando eternamente por um homem
Que para todos os outros
já não passa de uma sombra

Sou rainha de mim
E escolho esperá-lo em seu leito vazio
Somente porque sei que um dia voltará
E quando me contar todas as histórias
De todas as aventuras e tragédias que viveu
A minha espera me fará completa novamente
Então celebraremos nosso reencontro
Derramando amor em nossa cama
fincada no ventre da terra

Penélope, a iludida
Poderiam me chamar
Se minha escolha de te amar não tivesse raízes
Tão profundas quanto o leito em que me deito
E de onde ninguém mais se aproxima...

Viva suas aventuras amado Ulisses
E traga suas experiências para mim
Você me ensinará a mover-me com leveza

E eu te ensinarei a permanecer
a criar raízes e engendrar frutos

Marés


Na lua cheia te cobri de espumas
Mas agora que a lua míngua
Assim como a maré
Eu recuo

Me deixei fluir por você
E agora já sei como me sinto
E como a água
ora avanço, ora recuo

Você permanece incompleto
Te banho e o deixo nu
Só, na noite escura

Entretanto você permanece presente
E teu manto a cobrir meus ombros
Insiste em me manter ainda quente

Espero que venha buscá-lo
Que mergulhe na noite escura
Ao meu encontro

Ou que atire uma rosa nas ondas

E se afaste devagar...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

QUERO...

Quero conhecer seu sorriso
Quando estiver se encantando comigo
Quero saber como vai me olhar
Quando achar que está se apaixonando
Quero conhecer o seu silêncio então
Quando sentir medo
Quero sentir sua frustração
Quando eu te desapontar
E quero saber o que fará
Quando precisar me perdoar

Quero te experimentar me desejando
Mergulhando e recuando
No vai e vem das ondas
Da vida
E dos meus quadris...

Quero ouvir seus sentimentos como música
E senti-lo no toque dos seus dedos
Quando dançar comigo
Ou se afastar de mim

Quero respirar sua ausência
E o ansiar pelo retorno
Quero caminhar pelos cantos recônditos da sua mente
Onde eu encontre um castelo de espelhos
Quero levar meu véu noturno
Para me esgueirar em sua sombra

Quero te ver descrente
Ardente
Ausente
Contente...

Quero saber o que toca seus sentimentos
Quais são os sonhos que te movem
E aqueles que esqueceste, que escondeste
Que enterraste fundo numa noite sem luar

Quero saber o que te causa espanto
E que te provoco quando eu canto
Quero saber o que pra ti é santo
E o que te leva ao pranto

Quero ver suas mais feias cicatrizes
E onde encontra seus momentos mais felizes

E talvez ainda haja tempo
Para encontrarmos Vênus no céu

E vermos tudo infinto...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Caminhos


Eu vivi muitas vidas em uma,
e morri centenas de vezes,
fui do paraíso ao inferno
e segui o caminho do meio.

Estive sob a luz,
e caminhei sozinha nas trevas.
Eu já olhei no fundo do abismo,
subi na montanha mais alta.

Eu amei de muitas formas
e me despedi vezes demais.
Já estive vazia...
já recebi muitos abraços!

Venho de um caminho muito longo
que foi de encontro ao seu.
Caminhos conturbados, 
mas com a mais linda  vista que se pode ver.

E depois? Perguntaremos à lua,
perguntaremos às pedras,
perguntaremos à noite,
o que virá depois?

Vamos seguir caminhando...

domingo, 18 de janeiro de 2015

Imperatriz de mim


Sou grata por cada adeus
pois cada um me fez maior
mais poderosa...

Avançando ao infinito

Forçada a reivindicar a posse
Diante do terreno abandonado

Expandiram-se meus domínios
e me fiz senhora de mim


Mais e mais...

E me tornar grande
deusa onipotente neste microcosmo

meu Hades interno

meu paraíso no inferno...


Assumindo o controle da própria fortuna
antes delegada à forças externas
Emancipando-me na responsabilidade
por minhas próprias alegrias e dores...

Em minha pequenez
Vestir meus trajes de guerra
assumir as rédeas dos cavalos sagrados
Sulfur e Mercurius

Avó Nix e mãe Gaia me ensinam
a governar alma e corpo
e me nomeiam
Imperatriz de mim

sábado, 21 de junho de 2014

Reivindicações

Nunca te pedirei que me beije
mas te beijarei sempre que quiser
Nunca pedirei que me toque
porque suas mãos foram feitas para minha pele
Não te pedirei que me ame
te farei o amor em toda oportunidade

Jamais te pedirei que me dê nada
porque desejo tudo o que vier de ti
Não esperarei que me busque
mas se permitir, irei ao seu encontro
Não te pedirei que fique
Porque estará sempre em meus pensamentos

Não te pedirei nunca coisa alguma
porque mais lindo é o presente dado por vontade
Não peço retribuição por nada
porque o que ofereço não me pertence
Não te direi que não tenhas medo
porque só está vivo quem arrisca

Tampouco te farei promessas
porque nas palavras mora o engano
Que nossos olhos digam tudo o que precisa ser dito
que nossos espíritos comunguem acima da linguagem
que nossos corpos troquem o calor que temos
porque o restante não lhes diz respeito

Mas se em alguma noite sem lua
você se lembrar de mim e sorrir
eu serei feliz
Porque na natureza a vida cresce livre e viceja
e aqueles que estarão melhores juntos
se unem naturalmente