Sou Penélope, a rainha de Ítaca
Penélope, a astuta
Me chamam a sagaz
Porém a sonhadora é quem sou
Não me canso de esperar
Pelo homem que reivindique
O seu reino por direito
Teço planos e mantos
Engenhosa e perspicaz
Mas quando cai o véu da noite
Me desfaço em emaranhados
De bruma, de pranto, de esperança
Apenas para que se passe mais um dia
Em que seu reino permaneça intocado
Sou Penélope, a tola tenaz
Esperando eternamente por um homem
Que para todos os outros
já não passa de uma sombra
Sou rainha de mim
E escolho esperá-lo em seu leito vazio
Somente porque sei que um dia voltará
E quando me contar todas as histórias
De todas as aventuras e tragédias que viveu
A minha espera me fará completa novamente
Então celebraremos nosso reencontro
Derramando amor em nossa cama
fincada no ventre da terra
Penélope, a iludida
Poderiam me chamar
Se minha escolha de te amar não tivesse raízes
Tão profundas quanto o leito em que me deito
E de onde ninguém mais se aproxima...
Viva suas aventuras amado Ulisses
E traga suas experiências para mim
Você me ensinará a mover-me com leveza
E eu te ensinarei a permanecer
a criar raízes e engendrar frutos

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