sábado, 29 de setembro de 2012

Comunhão

Me abriu as portas do seu mundo
sem me tratar como uma estranha
abriu seu livro favorito
e o leu para mim
tocou suas músicas favoritas
e suas canções imaginárias
me tocaram
me olhou diretamente nos olhos
e seu silêncio tocou minha alma
viu através de mim
e não me julgou
me revelou seus segredos íntimos
sem restrições
me mostrou pedacinhos delicados
de sua vida, seus sonhos e seus medos
me recebeu em sua cama
foi recebido em meu corpo
com ternura e liberdade
dissolvemos os limites
do corpo e do espírito
chegamos num mundo onde não há nomes
e rompemos os padrões
que limitam as relações humanas
me ensinou a transcender o significado
de intimidade e afeição
vivemos a comunhão sem regras
e o amor sem restrições
que te dedico
e partilho com o mundo...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Para depois esquecer...



O corpo, uma canção
memorizada com a ponta dos dedos
Minha alma pulsa em poesia
te guardo em meu ventre com um olhar

Tua pele obstinada como teu caráter
exalando a intensidade da tua essência

Lindo o vejo sempre
no olhar e no sorriso

Música, palavras
segredos da alma
compartilhados pelos corpos e mentes
para depois esquecer...

Eros do Caos



Sou a agente do caos
vizinha das trevas
Vivo no lusco-fusco
do piscar dos teus olhos

Só recorro aos deuses
quando quero dar graças
Sou a boa amiga
só nas tuas horas amargas

Me desconstruo e me refaço
num único fôlego de vida
Te desejo quando pensas
Penso quando me desejas

Serei tua para sempre
ou até chegar a primavera
Aprendi a não esperar até que o mundo acabe
antes de começar a mirar as estrelas

Sou o pão e a carne
e o sopro e o brilho da alma transcendente

Quero te dar o que menos desejas
quero que desejes o que menos sei dar
Quero ver-te outra vez
antes que teu cheiro me deixe

Ou talvez eu me perca
em outros templos,
outros tempos
outros lençóis...

Sou como a ninfa dos mares
envolvendo como serpente
para escapar à força
dos teus braços, de teu abraço

Diante dos teus olhos
não me vê
Durante os teus sonhos
me desvenda

Leio a tua alma
Abalo tuas convicções
Sementes sopradas ao vento
para o tempo florir

Procuro nas canções
as palavras que não tenho
Descontextualizo todo o nexo
reescrevo o fim da história

Dia após dia e espero o sol se por
enquanto me dissolvo no crepúsculo

Gratidão




Mulherzinhas do mundo
Uma palavra de gratidão quero deixar a todas
Por transformarem para os homens o amor
Que trata de comunhão sublime
De integração dos opostos
Num cabresto e numa jaula
E vossas vaginas, de passagem ao divino infinito
em portal para a perdição,
Boca insaciável de deusa-vulcão exigindo sacrifício
Em armadilha de escravidão ao mundo dos sentidos
Graças a vocês, fêmeazinhas
O amor, tão belo e sagrado
Para os homens é como a cruz ao diabo
Cuidado equivaleu a servilismo
Prazer se tornou dor
Beleza é futilidade
Carinho, moeda de troca
E afeição, sinônimo de interesse
Agradeço também aos machões
que educaram essas damazinhas
com rédias curtas e chicote
que o amor é uma disputa
que devem manipular com doçura
para não serem subjugadas pela força
Agradeço a todos vós
por banalizarem o amor
por transformá-lo numa palavra imunda e pavorosa
Assim coube a mim buscar uma palavra nova!
Pois como disseram os poetas dos sonhos do novo milênio
Se "outrora eu buscava o Amor
Agora eu busco a Vida"
Deixo a vocês este amor gasto e surrado
e também minha gratidão
Pois para mim
eu desejo VIDA

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Reconstrução

Que o medo não me detenha
Que a dor não me impeça
Que a ousadia guie meus passos
E a impermanência seja minha mestra
Mergulho em mim mesma
Me viro do avesso
Revelo um outro lado
Pranteio o que morreu
Para que as lágrimas possam regar o riso
De quem se abre ao novo!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Poesia nova


Te conto meu segredo
como o vento que sopra
murmurando delicadamente
sem ser percebido

Te conto meu segredo
quando te sentas na varanda
sozinho, de madrugada
enquanto olha as estrelas

Te conto meu segredo
todas as noites
em cada ponto e letra
vertendo a verdade

Te conto meu segredo
como um rio que corre suavemente
nunca interrompendo seu fluxo
com sua correnteza cantante

Te conto meu segredo
como a neblina que te envolve
permeando tua pele
e penetrando os teus poros

Te conto meu segredo
em fragmentos delicados
como as páginas de um livro
há muito tempo não lido

Te escondo meu segredo...
como uma semente no interior da terra
esperando que crie raízes
para desabrochar na primavera