
Sou a agente do caos
vizinha das trevas
Vivo no lusco-fusco
do piscar dos teus olhos
Só recorro aos deuses
quando quero dar graças
Sou a boa amiga
só nas tuas horas amargas
Me desconstruo e me refaço
num único fôlego de vida
Te desejo quando pensas
Penso quando me desejas
Serei tua para sempre
ou até chegar a primavera
Aprendi a não esperar até que o mundo acabe
antes de começar a mirar as estrelas
Sou o pão e a carne
e o sopro e o brilho da alma transcendente
Quero te dar o que menos desejas
quero que desejes o que menos sei dar
Quero ver-te outra vez
antes que teu cheiro me deixe
Ou talvez eu me perca
em outros templos,
outros tempos
outros lençóis...
Sou como a ninfa dos mares
envolvendo como serpente
para escapar à força
dos teus braços, de teu abraço
Diante dos teus olhos
não me vê
Durante os teus sonhos
me desvenda
Leio a tua alma
Abalo tuas convicções
Sementes sopradas ao vento
para o tempo florir
Procuro nas canções
as palavras que não tenho
Descontextualizo todo o nexo
reescrevo o fim da história
Dia após dia e espero o sol se por
enquanto me dissolvo no crepúsculo
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