sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eros do Caos



Sou a agente do caos
vizinha das trevas
Vivo no lusco-fusco
do piscar dos teus olhos

Só recorro aos deuses
quando quero dar graças
Sou a boa amiga
só nas tuas horas amargas

Me desconstruo e me refaço
num único fôlego de vida
Te desejo quando pensas
Penso quando me desejas

Serei tua para sempre
ou até chegar a primavera
Aprendi a não esperar até que o mundo acabe
antes de começar a mirar as estrelas

Sou o pão e a carne
e o sopro e o brilho da alma transcendente

Quero te dar o que menos desejas
quero que desejes o que menos sei dar
Quero ver-te outra vez
antes que teu cheiro me deixe

Ou talvez eu me perca
em outros templos,
outros tempos
outros lençóis...

Sou como a ninfa dos mares
envolvendo como serpente
para escapar à força
dos teus braços, de teu abraço

Diante dos teus olhos
não me vê
Durante os teus sonhos
me desvenda

Leio a tua alma
Abalo tuas convicções
Sementes sopradas ao vento
para o tempo florir

Procuro nas canções
as palavras que não tenho
Descontextualizo todo o nexo
reescrevo o fim da história

Dia após dia e espero o sol se por
enquanto me dissolvo no crepúsculo

Nenhum comentário: