segunda-feira, 20 de julho de 2009

imutável mutante



Sou a mesma
e a outra
Aquela que nunca se revela
aquela que à noite vela

Quem te estende a mão
quando não há mais niguém
Quem parte em silêncio
quando a multidão vem

Quem entende tudo
e que tudo vê
Quem não sabe de nada
e em nada crê

A que do amor sorveu
o último gole
e que aceita as dádivas
que alguém esmole

Me verás no fundo do abismo
e no fundo da taça vazia
Ou numa flor de lírio
e em uma cama macia

Sou aquela a quem fazem perguntas
e aquela que vos deixa sem respostas
Sou o óleo aromático que vos besunta
tenho diversas camadas sobrepostas

Sou tudo o que quiseres
se essa for minha vontade
Ou sou a total ausência
humana bestialidade

Sou a imutável mutante
e o cavaleiro andante
A andarilha errante
e sua melhor amante...

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu encanto.❤️