Num sopro no tempo
meu mundo não é mais o mesmo
com um sopro do vento
tudo se transformou
O chão não é mais sólido
as verdades não são mais tão certas
a realidade é mutável, metamórfica
e a alma volúvel aguarda inquieta
O céu ainda é cinzento e turvo
e suas águas molham a mim e a você
com um sopro no tempo
nossos caminhos se separam
Meu espírito silente espera
mais frágil e inseguro que outrora
que teu espírito oscilante e temeroso
se incline em minha direção
No ermo, no silêncio, na escuridão
lavo minhas faces em segredo
me afasto só e em prantos
pra sorrir e não dizer adeus
O tempo soprou por entre as nuvens
as Moiras assim ordenaram
e sob o mesmo céu cinzento
o mundo já não é igual
Todos os rostos se parecem com o teu
teu cheiro ainda perdura
entranhado em minha pele
teu olhar ainda brilha em minha mente
Que será de nós nobre guerreiro?
Em minhas orações sempre peço aos deuses
que eu seja forte para derrotar
meu maior inimigo – eu mesma
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